* Por Pedro Goyn
Todos conhecem e concordam com o dito popular que diz, é melhor prevenir do que remediar. Fazemos isso em nossas casas. Trancamos as portas, colocamos grades nas janelas. Mas também é necessário falarmos para as crianças que colocar o dedo na tomada dá choque, que mexer em produtos de limpeza é prejudicial à saúde, encostar no ferro de passar roupa queima e por aí vai. Uma lista interminável de perigos dentro de casa que tentamos evitar para não ter de remediar lá na frente. Nas empresas não é diferente. Acreditamos estar protegidos e que a ameaça vem, apenas, do lado de fora. Mas isso é um engano.
A perda de dados de uma companhia é uma das grandes preocupações da atualidade. Esse vazamento de informação pode acontecer por acidente ou intencionalmente. Em qualquer uma das duas hipóteses, o risco é interno, vem de dentro da empresa por meio de um funcionário. Hoje, emails, mensagens instantâneas, arquivos compartilhados e consultas de dados contendo desde cadastro de clientes até registros financeiros, planos de negócio ou outras informações altamente confidenciais transitam pela rede por meio de desktops, notebooks e/ou qualquer outro dispositivo móvel, comum nas empresas,. O perigo se estende além da rede, incluindo documentos impressos, drives de CD e DVD, além de unidades “flash” de USB.
Por um período, acreditou-se que bastava bloquear as portas USB, o acesso a webmails e desinstalar drives de CD e DVD, que as informações estariam seguras. Também eram adotadas tecnologias que impediam o acesso não-autorizado dos funcionários às redes e servidores, protegendo-os contra os ataques externos com medidas tradicionais de segurança, incluindo firewalls, prevenção de intrusões e anti-spyware. No entanto, na maioria das vezes, não se pode garantir que a informação esteja realmente intocada e que não será ”vazada”. São raras as ferramentas capazes de entender a relevância do conteúdo a ser protegido.
O Data Loss Prevention (DLP) ou solução de prevenção contra perda de dados é um componente essencial na estratégia de segurança de quem quer proteger o conteúdo de seus arquivos, bases de dados e sistemas contra a transmissão ou divulgação não-autorizada das informações por seus funcionários. Este sistema é indispensável, pois monitora os dados confidenciais e, desta maneira, dá suporte à conformidade e às políticas de segurança corporativa. As soluções de DLP usam vários métodos para análise de conteúdo, que vão desde palavras-chave, dicionários e expressões regulares para correspondência, documento parcial e impressões digitais. Por isso, são capazes de identificar, monitorar e bloquear os dados em uso, em movimento e em repouso por meio de inspeção de conteúdo. Como, por exemplo, trechos de uma planilha com informações confidenciais sendo enviadas por e-mail, ou estes mesmos dados sendo gravados em um pen-drive no formato de texto corrido. A implementação de uma solução de DLP, no entanto, deve ser precedida de um serviço consultivo para análise e classificação do nível de criticidade dos dados da empresa, sem o qual a solução não faz sentido.
Segundo pesquisa global sobre segurança da Ernst & Young, a abordagem ainda é precária. Das mais de 1.800 empresas entrevistadas, em 61 países, apenas 32% indicaram ter uma lista detalhada de ativos de informação cobertos pelas condições de privacidade; 34% estabeleceram um processo de gestão e resposta específico para incidentes e 59% têm algum tipo de controle para proteger informações pessoais. Em relação às ameaças a segurança da informação corporativa, 41% dos participantes da pesquisa registraram aumento no número de ataques externos (phishing, invasão de sites etc.) e 19% nas fraudes externas; além disso, 25% dizem que cresceram os ataques internos (abuso de privilégios de funcionários e roubo de informações) e 13%, as fraudes internas.
Com estes dados, não podemos negar que um dos maiores riscos está dentro de nossa própria casa e que devemos protegê-la. Para isso, deve-se descobrir onde quer que estejam armazenadas as informações e criar dados sigilosos; monitorar o conteúdo ficando sempre de olho em como os dados estão sendo utilizados; proteger aplicando políticas de segurança que impeçam a saída dos dados confidenciais; e, gerenciar definindo políticas universais, corrigindo incidentes e gerando relatórios sobre os mesmos. Se a estrutura física não for protegida com medidas preventivas a casa vai desmoronar. E você, vai se prevenir ou vai remediar?
* Pedro Goyn é presidente da True Access Consulting – empresa especializada em segurança da informação.